Page 6 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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             JÚLIO VERNE nasceu em Nantes, no estuário do Líger, a  nove de fevereiro de 1828.
      Seu pai, Pedro Verne, foi notável advogado, profissão tradicional dos homens de sua família.
       Sua mãe, de família rica de armadores, chamava-se Sofia Alote.
      A  casa  em  que  nasceu  o  grande  ficcionista  situava-se  na    lôbrega  rua  de  Kervegar.  Era  a
      mansão dos Alote, pois Pedro,  ao casar-se com moça rica, não tinha ainda meios de oferecer-
      lhe lar à altura de sua tradição.
      O  nome  escolhido    Júlio    era  homenagem  ao  avô  paterno,  também  advogado.  Desde  logo,

      pretendeu-se que, com o nome, o recém-nascido herdasse a vocação do avô, a sua inteligência
      e o seu vigor profissional.
      No ano seguinte, nascia Paulo, único irmão de Júlio, pois todos os outros filhos do casal, daí
      por  diante,  foram    meninas.  Nas  previsões  da  família,  Júlio  seguiria,  como  os  Verne,  a
      carreira das leis enquanto Paulo se inclinaria para  a tradição dos Alote e seria homem do

      mar.
      Não tardou que Pedro Verne começasse a ter desenganos,  quanto ao sonho de fazer de Júlio
      um  continuador  da  profissão  preferida  da  família.  O  rapaz  revelava  espírito  inquieto    e
      fantasioso, muito mais próximo do romancista do que da  personalidade formal e circunspeta
      do advogado. A leitura  o atraía de modo especial e sempre foi terrível devorador de  livros.
      Preferia, porém, aventuras, novelas e ficções e deixava em plano remoto o estudo sistemático
      a  que  era  obrigado,  como  estudante.  Talvez  por  isto  tenha  guardado,  indelèvelmente,  na

      memória e no coração, os seus tempos de aluno da senhora Darrigade. Aos oito anos, Júlio e
      seu  irmão  de  sete  matricularam-se  no  estabelecimento. A  senhora  Darrigede  tinha  também
      paixão pelas aventuras e costumava narrar a seus alunos, com calor e colorido, histórias e
      fantasias  que    os  extasiavam.  Júlio  era,  talvez,  quem  mais  se  deixava  empolgar  pelas
      narrações da mestra. Ia a ponto de; encerradas  as aulas, organizar com os companheiros lutas
      de piratas e  marinheiros, vivendo, naquele arremedo realista, a fantasia  que morava em sua

      alma infantil.
      Os autores que conquistaram a preferência do jovem leitor incomparável, foram Swift, Defoe
      e Chateaubriand.  A história de Robinson Crusoé e de Ãtala polarizaram o entusiasmo de Júlio
      Verne e lançaram em sua formação a argamassa que iria revelar o mais vigoroso ficcionista
      do mundo.
      Da  escola  da  senhora  Darrigade,  Júlio  e  Paulo  passaram    ao  internato  do  colégio  de  São
      Donato. Findo o curso, os  dois irmãos Verne regressaram a casa e tiveram grande alegria.

      Seus  pais  já  não  moravam  no  severo  lar  dos  avós,  mas  em  vivenda  alegre  e  própria,  em
      Chanteney,  a  poucos  quilômetros  da  cidade,  na  outra  margem  do  Líger.  Aquelas  férias  e
      aquele verão transcorreram como o melhor sonho da juventude do escritor. A vida ao ar livre,
      a companhia alegre de rapazes  de sua idade e, principalmente, o seu primeiro idílio, namoro
        infantil  com  a  bela  Carolina  Doussault,  marcaram  aquele  pequeno  período  de  gratas  e,
      depois, amargas recordações para Verne.

      Aos folguedos e ao idílio Júlio não sacrificava sua paixão  :pela leitura. Descobrira, com
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