Page 9 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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científica. Realmente,  mesmo depois que iniciou suas sensacionais narrações no semanário,
      continuou a escrever peças de teatro musicado, não  só pela necessidade de ganhar dinheiro,
      como pelo gosto pelo  jocoso. Nenhuma de suas peças, porém, teve qualquer êxito.

      Em contraste, seus artigos no Museu das Famílias alcançaram desde logo grande sucesso. A
      tiragem da revista começou a subir e Júlio Verne, com a segurança de sua subsistência, pôde
      dedicar-se inteiramente ao gênero que o consagraria através dos anos.
      Seu pai, Pedro Verne, já se empolgara pela vocação literária do filho e já se reconciliara
      intimamente  com  a  sua  profissão,  principalmente  por  haver  reconhecido  que  ela  em  nada
      deslustrava  a  honra  e  a  tradição  de  austeridade  da  família.  Pedro,  porém,  iria  ter  outro

      desgosto.
       O escritor apaixonou-se por jovem viúva, senhora Honorina Hebé, que trazia duas filhas do
      casamento anterior.  O velho Pedro Verne não aceitava a escolha, mas teve, uma  vez mais,
      que ceder, diante da vontade firme do filho. Afinal,  assistiu ao casamento e ainda presenteou
      o casal com cinqüenta  mil francos.
      Aos trinta anos, com plena segurança de sua preparação  e de sua capacidade, Júlio Verne
      decidiu-se a escrever a primeira obra extensa, à qual dedicou todos os seus momentos  livres,

      durante três anos. Terminou-a em 1861, e começou,  então, o drama do escritor novo  a busca
      de editor. Nenhum  dos editores de Paris se animava a publicar o livro. Julgavam  que Cinco
      Semanas em Balão constituiria sério risco editorial,  visto que se tratava de literatura sem
      precedentes em todos  os tempos.
      O  escritor,  entretanto,  conheceu  um  extraordinário  tipo    de  aventureiro,  empreendedor  e

      corajoso, apaixonado pelos  problemas da navegação aérea e que se chamava Nadar. Este
      homem singular leu detidamente a novela e ficou empolgado.  Era amigo de J. Hetzel, o mais
      importante editor da França,  na época. Hetzel era homem avançado e já havia contribuído
        para  a  fama  de  outros  escritores.  Com  a  mesma  perspicácia,    sentiu  o  valor  da  obra  que
      acabara de ler e, sem relutância,  firmou contrato com Júlio Verne. Aquele contrato, quase de
       risco, em pouco, diante do sucesso retumbante, transformou-se  em contrato por vinte anos de
      toda a produção do escritor.  Com os novos êxitos, o contrato foi mais uma vez ampliado  para
      toda a produção futura, sem limite de tempo.

      O  êxito  foi  fulminante.  O  público,  cansado  dos  dramas    tradicionais,  cheios  de  falso
      romantismo, deliciava-se com  aquelas leituras apaixonantes, onde a aventura mais inesperada
      se casava com os mais avançados conhecimentos científicos, antecipando-os e superando-os.
      Não só na França, mas em todo o mundo.
      Júlio Verne, formado literalmente entre o romantismo e o realismo, adotou nova concepção

      romântica  da  ciência  e  soube  aliar  o  exótico  e  a  aventura  de  maneira  tão  racional  que,
      colocando suas criações sempre no plano do possível e do verossímil, passou a ser autêntico
      divulgador da ciência.
      Como  acontece  a  todos  os  que  despontam,  não  faltaram  detratores  a  Júlio  Verne.  Os
      intelectuais mais intransigentes acusavam sua obra de pouco literária e os cientistas rigorosos
      e sistemáticos desdenhavam do que chamavam de ciência vulgar. Mas entre uns e outros não
      faltaram  os  que  souberam  apreciar  o  valor  próprio  da  obra  do  fértil  escritor,  verdadeira

       enciclopédia humana criada por vigoroso narrador, servido por senso de humor do melhor
      quilate.
      Verne faleceu em vinte e quatro de março de 1905, em Amiãs. Mas a história das descobertas
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