Page 33 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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trouxera consigo os chefes tuaregues. Por sugestão do governo francês, organizaram-se duas
       expedições, as quais, descendo do norte em direção ao oeste,  cruzar-se-iam em Tombuctu.
      Ao sul, o incansável Livingstone  avançava constantemente na direção do equador e, depois de

       março de 1861, subia, em companhia de Mackenzie, o rio  Rovoonia. Sem dúvida, o século
      dezenove não terminaria sem  que a África revelasse os segredos que vinha ocultando por
       seis mil anos.
      O interesse dos ouvintes de Fergusson foi particularmente  demonstrado quando ele discorreu
      sobre  os  preparativos  de    sua  viagem.  Quiseram  verificar  seus  cálculos,  discutindo-os
      e fazendo com que o doutor tomasse partes nos debates.

      Surpreenderam-se todos com a quantidade relativamente  reduzida dos mantimentos que ele
      levava. Um dos oficiais  interrogou-o a esse respeito.
      – Isto o surpreende, não é?  ponderou Fergusson.
      – Sem dúvida.
      – Mas qual a duração que imagina irá ter a minha  viagem? Meses inteiros? Engana-se. Se se
      prolongasse por  muito tempo, nunca mais voltaríamos. De Zanzibar à costa  do Senegal, a
      distância é aproximadamente de sete mil quilômetros. Ora, calcule quatrocentos quilômetros

      por doze horas e verá que, viajando-se dia e noite, não se levará mais que sete dias para
      atravessar a África.
      –  Mas  nesse  caso  não  poderá  ver  nada,  fazer  levantamentos  geográficos,  ou  inspecionar  a
      região.
      – Acontece  replicou o doutor  que sou eu quem  dirige o balão e poderei não só subir e descer

      à vontade,  como parar quando julgar conveniente. Nossos víveres são  suficientes para dois
      meses.  Se  viessem  a  faltar,  nosso  competente  caçador  se  encarregaria  de  conseguir  boas
      caças.
      –  Senhor  Kennedy,  com  certeza  irá  dar  tiros  de  mestre    .  disse  um  jovem  guarda-marinha,
      olhando para o escocês  com inveja.
      – Sem se falar na glória que juntará aos momentos agradáveis que vai passar  comentou outro.
      – Senhores  disse o caçador , sou grato por seus cumprimentos, mas eles não têm razão de ser.
      – Como!!  exclamaram de todos os lados. O senhor não  vai com o doutor Fergusson?

      – Não só isto, como estou aqui para tentar demovê-lo  dessa viagem até o último momento.
      – Não dêem atenção ao que ele diz  declarou Fergusson, com sua habitual fleuma. É assunto
      que não se deve  nem discutir. No fundo, ele sabe perfeitamente que partirá  comigo.
      – Pelo amor de Deus!  exclamou Kennedy. Garanto  que...
      – Não garanta coisa alguma, meu caro Dick. Você  foi medido, pesado, e o mesmo aconteceu

      com sua pólvora,  suas espingardas e as balas, de modo que o melhor é não se  falar mais
      nisso.
      Realmente, depois daquele dia até a chegada a Zanzibar,  Kennedy não mais abriu a boca para
      falar naquele assunto  ou em outro qualquer.
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