Page 34 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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Joe LECIONA COSMOGRAFIA





      o resoluto navegava com rapidez em direção ao cabo da Boa Esperança. O tempo permanecia
      bom, embora o mar se  mostrasse mais agitado.
      A trinta de março, vinte e sete dias após a partida de  Londres, a montanha da Mesa delineou-
      se no horizonte. A cidade do Cabo, situada na base de um anfiteatro de colinas,  surgiu na
      extremidade das lunetas marítimas e pouco depois  o Resoluto baixava a âncora no porto. Mas

      só permaneceram  lá um dia, para reabastecimento de carvão. Na manhã seguinte, o navio já
      zarpava  para  o  sul,  a  fim  de  dobrar  o    ponto  meridional  da  África  e  entrar  no  canal  de
      Moçambique.
      Não era a primeira viagem por mar que Joe fazia e,  assim, não tardara a sentir-se em casa.
      Era querido por todos  pela sua franqueza e por seu bom-humor. Grande parte da  celebridade
      do patrão refletia-se nele. Escutavam-no como a  um oráculo e ele não se enganava mais que

      qualquer outro  oráculo.
      Assim, enquanto o doutor se entregava às suas descrições  na sala dos oficiais, Joe reinava no
      castelo  de  proa,  contando    a  história  à  sua  maneira,  procedimento,  aliás,  seguido  pelos
       grandes historiadores de todos os tempos.
      Tratava-se  naturalmente  da  viagem  aérea.  Conseguira    com  dificuldade  fazer  com  que  os
      espíritos  recalcitrantes  aceitassem  o  empreendimento.  Contudo,  após  consegui-lo,  a
      imaginação  dos  marinheiros,  estimulada  pela  narrativa  de  Joe,    não  achava  mais  nada

      impossível.
      O esfuziante narrador persuadiu ao seu auditório de que,  realizada aquela viagem, outras se
      seguiriam. Tratava-se tão somente do inicio de longa série de proezas sobre-humanas.
      – Saibam, meus amigos, que quando se experimenta este  meio de locomoção, não se pode
      mais passar sem ele. Em  nossa próxima expedição, em lugar de voarmos para o lago  iremos
      para cima, subindo sempre.

      – Quer dizer que... irão à lua!  exclamou maravilhado  um dos ouvintes.
      – Qual lua, qual nada!  respondeu Joe. Palavra de  honra, isso está ficando muito comum!
      Todo mundo planeja ir à lua. Além do mais, lá não existe água e a gente  é obrigado a levar
      enormes quantidades de provisões. Até ar  engarrafado, por pouco que se necessite respirar.
      Não, nada  de lua. Iremos e visitar aquelas belas estrelas, aqueles interessantes planetas de
      que meu patrão me fala tão a miúdo.  Começaremos por conhecer Saturno...
      – O tal do anel?  indagou um marinheiro.

      – Justamente.
      – É verdade que irão àquelas alturas?  perguntou alguém, estupefato. Será que o seu patrão tem
      parte com o  demônio?
      – Não! Ele e bom demais para isso.
      – E depois de Saturno?  interpelou-o um dos mais impacientes da turma.
      – Depois de Saturno? Bem, faremos uma visita a Júpiter.  É um lugar muito esquisito, onde os

      dias só têm nove horas  e os anos correspondem a doze dos nossos.
      – Então um ano lá equivale a doze da terra?  inquiriu  o grumete.
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