Page 24 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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travessia da África naturalmente seria realizada algum dia e de forma menos temerária.
Dentro de um mês, de seis meses, antes de um ano, algum explorador sem dúvida lá chegaria.
Tais insinuações produziram efeito totalmente contrário no doutor, que respondeu com
impaciência:
– Por acaso você queria; desgraçado e pérfido amigo, que a glória coubesse a outro? Acha
que eu seria capaz de renegar minha origem? De recuar ante obstáculos que nem ao menos
são de grande importância?
– Mas... gaguejou Kennedy, que usava com grande assiduidade essa conjunção.
– Mas repetiu o doutor não sabe que minha viagem tem de competir com o sucesso de outros
empreendimentos? Por acaso não sabe que novos exploradores estão avançando em direção
ao centro da África?
– No entanto...
– Olhe para este mapa.
Dick obedeceu, resignado.
– Suba o curso do Nilo prosseguiu Fergusson.
Olhe para este mapa.
– Estou subindo respondeu o escocês com docilidade. Chegue a Gondocoro.
– Já cheguei.
E Kennedy pôs-se a imaginar como era simples uma viagem daquelas... por mapa.
– Tome uma das pontas deste compasso ordenou o doutor e faça centro nesta cidade que os
mais corajosos mal chegaram a transpor.
– Pronto...
– Agora, localize a ilha de Zanzibar, a seis graus de latitude sul.
Já localizei.
– Agora siga este paralelo e chegue a Kazeh.
– Já está.
– Suba pelo grau trinta e três de longitude até à abertura do lago Ukereué, o local onde parou o
tenente Speke.
– Aqui estou! Um pouco mais e eu mergulharia no lago.
– Pois bem. Sabe o que se pode deduzir das informações colhidas entre as tribos que vivem
às margens?
– O quê?
– É que este lago, cuja extremidade inferior está a dois graus e trinta segundos de latitude,
deve também estender-se a dois graus e meio acima do equador.
– É isso mesmo!
– Ora, desta extremidade setentrional corre um rio que por força irá encontrar-se com o Nilo,
caso não se trate do próprio Nilo.
– Interessante.
– Agora, apóie a segunda ponta do compasso sobre esta extremidade do lago Ukereué.
– Pronto, amigo Fergusson.
– Quantos graus existem entre as duas pontas?
– Dois.
– E sabe a que corresponde isso?
Não faço a mínima idéia.

