Page 108 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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brandamente a duzentos passos do oásis. Em quatro horas, os viajantes haviam transposto
distância de trezentos e oitenta quilômetros.
A barquinha foi equilibrada e Kennedy, seguido de Joe, saltou para o chão.
– As espingardas! berrou o doutor as espingardas, e sejam prudentes!
Dick correu para a carabina e Joe apoderou-se de uma das armas. Avançaram depois
apressadamente até às árvores e penetraram sob aquela fresca verdura que lhes anunciava
abundantes nascentes. Nem deram pelas enormes pegadas, vestígios recentes que marcavam
aqui e ali o solo úmido.
Subitamente, um rugido soou a vinte passos.
– É o rugido de um leão! disse Joe.
– Paciência! replicou o caçador desesperado lutaremos. Sempre se é forte quando não há
outro remédio!
– Cautela, senhor Dick, cautela! Da vida de um depende a vida de todos.
Mas Kennedy não o escutava. Avançou, de olhar chamejante, a carabina armada, terrível na
sua audácia. Debaixo de uma palmeira, enorme leão de negra juba mantinha-se em postura de
ataque. Tão depressa avistou o caçador deu o salto, mas não tinha ainda tocado terra quando
uma bala no coração o fulminou e estendeu-o morto.
– Hurra! hurra! bradou Joe.
Kennedy correu para o poço, escorregou pelos degraus úmidos e estatelou-se diante de fresca
fonte na qual mergulhou os lábios com avidez. Joe imitou-o e logo não se ouviu mais nada a
não ser aqueles cicios de língua de animal que mata a sede.
– Cuidado interrompeu Joe respirando não devemos abusar!
Mas Dick, sem responder, continuava bebendo, mergulhando a cabeça e as mãos naquela água
bendita. Inebriava-se.
– E o doutor Fergusson? perguntou Joe.
Só esta pergunta conseguiu devolver Kennedy a si mesmo. Encheu uma garrafa que trouxera e
pôs-se a subir os degraus do poço. Mas qual não foi a sua estupefação quando viu um corpo
enorme e opaco que lhe fechava a saída. Joe, que o seguia, recuou com ele.
– Estamos presos!
– Impossível! que será isso?
Dick ainda não acabara, quando rugido terrível lhe deu a entender que tinha de enfrentar novo
inimigo.
– Outro leão! exclamou Joe.
– Não, é uma leoa! Ah! maldito animal, espere um pouco disse Kennedy, tornando a carregar
à pressa a carabina.
Um momento depois disparou, mas a fera tinha desaparecido.
– Adiante! gritou ele.
– Não, senhor Dick, não, o tiro não a matou, caso contrário o corpo rolaria até aqui. Ela
continua lá, pronta a saltar sobre o primeiro de nós que apareça. E esse não terá salvação!
– Mas que havemos de fazer? Precisamos sair. Samuel está à nossa esperai Vamos atrair o
animal. Tome a minha espingarda e passe-me a sua carabina.
– Qual é o seu intento?
– Já vai ver.
Joe, despindo a jaqueta de lona, pendurou-a na ponta da arma e apresentou-a como isca por

