Page 129 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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afirmativo, teria achado meio de indicar a sua presença. Decerto, haviam-no transportado
para terra. Assim cogitava o doutor quando tornou a avistar a margem setentrional do Tchad.
Pensar que Joe se tivesse afogado era inadmissível. Uma idéia pavorosa atravessou o
espírito de Fergusson e Kennedy: os crocodilos são numerosos naquelas paragens! Mas
nenhum deles teve coragem de formular tal apreensão. Contudo ela ocorreu tão manifestamente
a ambos, que o doutor disse sem outros preâmbulos.
– Só há crocodilos nas margens das ilhas ou do lago. Joe seria bastante hábil para evitá-los.
De resto, eles são pouco perigosos e os africanos banham-se impunemente sem receio de
ataques.
Kennedy não respondeu, preferindo calar-se a discutir a terrível possibilidade.
O doutor assinalou a povoação de Lari às cinco horas da tarde. Os habitantes ocupavam-se da
colheita do algodão diante das cabanas de caniços entrelaçados, dentro de cercados limpos e
cuidadosamente mantidos. Aquele aglomerado de cinqüenta cabanas ocupava leve depressão
do terreno num vale estendido entre montanhas baixas. A violência do vento levava o doutor
para mais longe do que pretendia, mas ele mudou outra vez e conseguiu voltar ao ponto de
partida, justamente àquela espécie de ilha firme onde passara a noite anterior.
A âncora, não tendo encontrado ramos de árvores, prendeu-se a um bloco de caniços seguros
ao lado espesso do pântano e de considerável resistência. Fergusson teve bastante
dificuldade em conter o aeróstato, mas por fim o vento cedeu com a noite e os dois amigos
ficaram ambos de vigia, quase desesperados.

