Page 132 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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O  chão,  tão  plano  e  igual  durante  a  ida,  estava  agora    revolvido  como  mar  depois  da
      tempestade.  Infinidade  de  pequenos  montículos  mal  firmes  pontilhava  o  deserto,  o  vento
      soprava  com  violência  e  o  Vitória  corria  pelo  espaço. A  direção  seguida  pelos  viajantes

      pouco diferia da que tinham seguido de manhã, de modo que pelas nove horas, em vez de
       encontrarem as margens do Tchad, viam ainda o deserto estender-se diante deles.
      Kennedy fez uma observação nesse sentido.
      – Isso não importa  respondeu o doutor  o que interessa é voltar ao sul. Encontraremos as
      aldeias de Bornu,  Wuddia ou Cuca e não hesitarei em parar.
      – Se assim o entende, também eu  volveu o caçador.  Mas queira Deus não sejamos obrigados

      a atravessar o deserto  como aqueles infelizes árabes! O que vimos é horrível.
      – E repete-se com muita freqüência, Dick. As travessias do deserto não são menos perigosas
      que as do oceano.  O deserto esconde todos os perigos do mar, até o afogamento,  e, além
      disso, canseiras e privações insuportáveis.
      – Parece-me  atalhou Kennedy  que o vento tende a  acalmar. A poeira das areias é menos
      compacta, o revoluteio  diminui e o horizonte clareia.
      – Tanto melhor! Precisamos examinar atentamente com  a luneta, de modo que nenhum ponto

      nos escape.
      – Eu me encarrego disso, Samuel, e não passará uma  árvore sem que seja avisado.
      E o caçador, empunhando a luneta, instalou-se à frente  da barquinha.
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