Page 138 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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OS ÁRABES PERSEGUEM Joe
Depois que Kennedy retomou o seu posto de observação na frente da barquinha, não cessou
de investigar o horizonte com a maior atenção.
Ao fim de certo tempo, voltou-se para o doutor e disse:
– Se não me engano há lá embaixo uma tropa em movimento, de homens ou animais. Ainda é
impossível distingui-los. Em todo caso vão em grande alvoroço, porque levantam enorme
nuvem de poeira.
– Não será mais algum vento contrário volveu Samuel , uma tromba que nos repila para o
norte?
E ergueu-se para observar o horizonte.
– Não creio, Samuel tornou Kennedy. Deve ser um bando de gazelas ou de bois selvagens.
– Talvez, Dick. Mas o grupo está pelo menos a vinte quilômetros de nós e mesmo com a
luneta nada posso ainda perceber.
– Não o perderei de vista. Há ali qualquer coisa de extraordinário que me intriga. Às vezes
parece manobra de cavalaria. Ah! Não me enganei, são cavaleiros! Olhe!
O doutor examinou com atenção o grupo indicado.
– Acho que tem razão disse ele. É um destacamento de árabes ou de tibbus, fugindo na
mesma direção que nós. Mas como temos maior velocidade, depressa os alcançaremos.
Daqui a meia hora estaremos em situação de ver e julgar se é conveniente intervir.
Kennedy retomara o óculo e assestara-o atentamente. A massa dos cavaleiros ia-se tornando
mais visível, alguns dentre eles isolavam-se.
– Não há dúvida de que se trata de manobra ou de caçada tornou Kennedy. Parece que estão
perseguindo alguma coisa. Gostaria bem de saber o que é.
– Tenha paciência, Dick. Dentro em pouco os alcançaremos e até lhes passaremos adiante se
continuarem naquela direção. Marchamos com velocidade de trinta e oito quilômetros à hora
e não há cavalo que acompanhe semelhante corrida.
Kennedy voltou a observar e minutos depois acrescentou:
– São árabes correndo a toda velocidade. Distingo-os perfeitamente. Serão uns cinqüenta.
Vejo-lhe os albornozes encherem-se de vento. É um exercício de cavalaria. O chefe vai cem
passos à frente e eles correm-lhe no encalço.
– Quem quer que seja, nada temos a temer, Dick, porque se for necessário subirei um pouco
mais.
– Espere, espere um pouco, Samuel! É curioso! acrescentou ele após novo exame há qualquer
coisa que não entendo. Pelos seus esforços e pela irregularidade da linha que seguem,
aqueles árabes têm antes o ar de perseguir do que de seguir alguém.
– Tem certeza, Dick?
– Sem dúvida. Não me posso enganar! É uma caçada, e uma caçada a um homem! Não é um
chefe que os precede, mas um fugitivo.
– Um fugitivo! exclamou Samuel emocionado.
– Com certeza!

