Page 139 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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– Então não os perca de vista e esperemos.
Três ou quatro milhas foram prontamente ganhas sobre os cavaleiros que avançavam com
prodigiosa velocidade.
– Samuel! Samuel! gritou Kennedy com voz trêmula. Que foi, Dick?
– Será uma alucinação? Não é possível! Que quer dizer?
– Espere.
O caçador limpou rapidamente as lentes do óculo e tornou a olhar.
– Então? perguntou o doutor. É ele, Samuel! Ele! acudiu este último.
Ele dizia tudo. Não havia necessidade de nomear.
– É ele, a cavalo, apenas a cem passos dos inimigos!
Está fugindo!
– É, com efeito, Joe tornou o doutor empalidecendo. Naquela corrida não pode ver-nos!
– Há de ver-nos respondeu Fergusson, abrandando a chama do maçarico.
– De que modo?
– Daqui a cinco minutos estaremos a quinze metros do chão, dentro de quinze planaremos
sobre ele.
– Precisamos avisá-lo com um tiro!– Não, ele não pode voltar, está impedido. Que faremos,
então? Esperar.
– Esperar! E os árabes?
– Vamos alcançá-los! Vamos passar-lhes à frente! Estamos apenas a quatro quilômetros de
distância. O essencial é que o cavalo de Joe agüente.
– Santo Deus! bradou Kennedy. Que há?
Kennedy lançara tal brado de desespero ao ver Joe cair ao chão. Seu cavalo, evidentemente
esfalfado, rolara na areia. Ele viu-nos! gritou o doutor. Ao levantar-se fêz-nos sinal! Os
árabes vão agarrá-lo! Que espera ele? Ah! Valente rapaz! Hurra! berrou o caçador não se
contendo.
Joe, erguendo-se logo após a queda, no instante em que um dos mais velozes cavaleiros ia
saltar sobre ele, pulou como pantera, evitou-o com um desvio, atirou-se-lhe à garupa, segurou
o árabe pelo pescoço com as suas mãos nervosas e seus dedos de ferro, estrangulou-o,
derrubou-o na areia e prosseguiu a sua fuga terrível.
Retumbou nos ares imenso brado dos árabes, os quais estavam tão empenhados na perseguição
que nem viram o Vitória quinhentos passos atrás deles e apenas a dez metro do solo. Eles
mesmos não distavam do fugitivo cinqüenta corpos de cavalo. Um dos perseguidores
aproximou-se sensivelmente de Joe e ia vará-lo com a sua lança, quando Kennedy, com olho
fixo e mão firme, deteve-o com uma bala jogando-o ao chão. Joe nem se voltou ao ouvir o
tiro.
Uma parte do bando suspendeu a corrida e tombou de face na poeira ao avistar o Vitória. Os
outros continuaram a perseguição.
– Mas que está fazendo Joe? gritou Kennedy. Ele não pára!
– Faz melhor do que isso, Dick, já o entendi: mantém-se na direção do aeróstato. Confia na
nossa inteligência! Ah! Valente moço! Vamos arrebatá-lo nas barbas desses árabes! Não
estamos a mais de duzentos passos.
– Que devo fazer? perguntou Kennedy.
– Põe a espingarda de lado.

